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17/09/2016

# Eu li, e você? # 60

Título: Eu me possuo
Autora: Stella Florence
Número de páginas: 184
Ano: 2016
Editora: Panda Books

Karina é uma jovem estudante de Odontologia que mora com os pais e a irmã. Apesar de aparentemente levar uma vida normal, K está cansadíssima da apatia da família, da faculdade e dos estágios. O que ainda a alegra um pouco, é a relação confortante com a avó materna, muito à frente de seu tempo.

Ela enxerga uma forma de mudar de vida, quando sua amiga de infância lhe pede ajuda no bar, o que ela não imaginava é que esse trabalho a colocaria diante de seu maior fantasma, Gustavo.

Finalmente o destino permite o acerto de contas entre ela e o homem que a violentou no seu aniversário de 17 anos.

“O fato de eu ter me sentido atraída por você, ter ido a sua casa, ter desejado transar com você, não signi fica que você poderia me violentar. Desejar um homem não é o mesmo que desejar ser estuprada por ele. Você disse que tem ido ao meu bar a m de se desculpar por alguma má impressão que tenha deixado em mim. Você não deixou uma má impressão, Gustavo. Você cometeu um crime."

Diferente do que aparenta ser, a narrativa caminha por um rumo inesperado: o foco não é o estupro na adolescência, mas sim uma nova Karina, seis anos depois do ocorrido. O conteúdo do livro não é pesado, apesar de se tratar de um tema bastante delicado e mais comum a cada dia. 




O descaso com os sentimentos e a violência contra à mulher é um assunto que deve ser tratado com muita atenção. Enfrentar os medos, por si só, é bem difícil. Enfrentar os traumas é pior ainda. Apesar de Karina ter superado esse fato, não o fez 100%, afinal, uma pessoa violentada, jamais será a mesma. Uma parte dela deixou de existir. E talvez tenha sido esse o motivo que me fez ficar sem saber o que dizer sobre ela. Ao mesmo tempo em que se mostrou uma guerreira, apesar das cicatrizes no corpo e na alma, a forma com que se envolveu com alguns homens me deixou perplexa, de certa forma. Sempre achei que pessoas que já sofreram algum tipo de violência sentem receio de se envolver e são mais "cuidadosas" nesse sentido, o que não aconteceu com a protagonista. No entanto, ao concluir a leitura, me pareceu ser essa a forma de ela assumir o controle da situação e não permitir que ninguém machuque seu coração novamente.

"A força que hoje me habita é criação minha. Eu me possuo. Ninguém mais." 

CLASSIFICAÇÃO: 


BOM!



8 comentários :

  1. Olá!
    Ainda não conhecia o livro mas achei a capa realmente linda ♥ Fiquei bastante surpresa quando vi que a história não é tão pesada quanto pensei que fosse. Logo no começo imaginei que o enredo giraria em torno do estupro sofrido pela personagem, o que na verdade não é. Mas apesar de ser um livro bem curtinho, infelizmente não me atraiu. Não é o tipo de livro que curto ler, mas quem sabe futuramente?

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    1. Oi, poxa, que pena.
      A história de superação é muito bacana, e com certeza eleva a nossa auto-estima.

      Beijo

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  2. Oiee Milena ^^
    Eu ainda não conhecia este livro, mas saber que trata da violência contra a mulher me deixou curiosa, pois eu gosto de livros que puxam um pouco para o lado realista e delicado. Apesar de que você disse que não é o assunto principal do livro, mas acho que, acompanhar uma vítima seguindo com a vida anos após o acontecido é ainda melhor, né? Uma pena que o livro não tenha ganhado mais estrelas :/
    MilkMilks ♥

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    1. Oi, Dryh. A história em si, é muito boa, mas achei que faltaram alguns detalhes essenciais na história.

      Beijo

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  3. Milena, obrigada pelo espaço e pelo carinho da leitura de “Eu me possuo”. A construção da narrativa é ficcional, mas estupro é algo que conheço bem, infelizmente já aconteceu comigo. Interessante a liberdade sexual de Karina, depois de seis anos de clausura, causar incômodo. Quanto à suposta superficialidade das suas relações, me permita comentar: às vezes a gente dá um único beijo num homem, apenas um, ou passa uma única noite com ele, apenas uma, e essa relação se torna extremante significativa para o resto das nossas vidas. Mas mesmo que não seja assim, mesmo que seja desimportante, é nosso direito escolher se vamos ter aquela experiência ou não, como também é um direito que nosso “não” seja respeitado (há mais detalhes sobre esse assunto no meu blog www.stellaflorence.com). Como você bem observou “me pareceu ser essa a forma de ela assumir o controle da situação”. Recebo muitos depoimentos de leitoras que foram vítimas de estupro e tento acolhê-las, como Evelyn faria. Espero ter dado voz a uma dor tão coberta pelo silêncio e pelos preconceitos da nossa sociedade que sempre, sempre coloca a culpa na vítima. Um beijo carinhoso para você, vou postar sua resenha nas minhas redes sociais. #TodasPorLAMM #EstuproNuncaMais

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    1. Oi, Stella. É uma honra receber um comentário seu em meu blog. Com certeza você conseguiu dar voz às muitas mulheres que já sofreram esse tipo absurdo de violência.
      Obrigada pelo carinho e pelo comentário.

      Beijo

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  4. Olá.
    Não tinha visto o livro ainda, ou vi no skoob e não lembro, mas gostei bastante dessa dica. Sempre procuro temas como esse para poder ler e sua resenha me fez ter interesse. Vou adicionar a minha estante virtual e espero poder lê-lo logo.
    Grande abraço.
    J, Clichê Imperial

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    1. Oi, Jhonatan. Fico feliz de um homem ter se interessado por essa história, que muitas mulheres já passaram e sofrem as consequências durante toda sua vida. Espero que goste da leitura assim como eu.

      Beijo

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